sexta-feira, 25 de abril de 2008

uma vez babaca...

Julia era uma romantica incontrolável totalmente no armário. Dessas pessoas que finge que nao tá nem aí pra relacionamentos, mas no fundo sonha ser protagonista de uma comédia romantica.
Todos os anos, ela e uma turma de amigos viajavam pra mesma cidade no feriado. Era tradicional que o pós balada rolasse na casa da galera, praticamente um mundo da lua (onde tudo pode acontecer). Em meio a danças e tequilas, ela olha no canto da sala, ve um garoto, cutuca a amiga e pergunta:
- Quem é aquele?
- Ah, acho que chama Sérgio... amigo do Leo.
- Huuuum! Gostei! Vou pegar!
E papo vai, papo vem, os dois começam a se pegar. Sérgio que nao é bobo nem nada, vai levando Julia pro quarto, e ela já totalmente chapada nao impoe nenhuma resistencia.
A luz apagada, as maos rolando solto, a musica alta lá fora, e Julia pensando "hoje eu nao vou dar. ainda tem dois dias." Sabe aquele clichê? Mulher tem que ser dificil, porque se for fácil homem nao quer? Pois é, já estava bem doutrinado na cabeça de Julia, e ela levou à risca. Depois de muito insistir em vao, Sérgio desistiu e os dois acabaram dormindo.
Na manha seguinte, Julia acordou mais cedo, saiu do quarto e foi fofocar sobre noite com as amigas.
Ela estava no corredor quando Sérgio saiu do quarto. Ele deu um sorrisinho sem graça, assim de longe pra ela, e entrou no banheiro.
Mais tarde, ela foi falar com ele, e ele inventou uma desculpa qualquer pra sair de perto. Julia, arrasada, foi desabafar com as amigas, que sem pestanejar, falaram pra ela deixar de ser boba, que ainda tava cedo, e afinal de contas, "beijou de dia, tá namorando!". E nao era isso que ela queria, ERA?
O dia foi passando, as pessoas voltaram a beber, foi aparecendo mais gente na casa, e começou uma festa. Julia totalmente neurótica porque Sérgio nao olhava pra ela, pensava obcessivamente que devia mesmo era ter dado pra ele! "Porque certeza ia ter sido foda! E meeeeeu! É claro que ele nao me quer mais porque eu me fiz de dificil!".
Certa hora da noite, Julia olha pro canto da sala, aquele mesmo que ela tinha visto ele pela primeira vez, e vê Sérgio chegando em uma piranhavagabunda, amiga da amiga da amiga que nem era pra estar ali! Nao se passam nem 5 minutos e ela ve os dois de maos dadas, indo pro quarto. O mesmo quarto que ele tinha levado ela na noite anterior. Aquilo pra ela foi morte!
Mas a vida continua, o feriado acabou, todo mundo voltou pra casa, e cada um seguiu seu rumo.

...

Um ano se passou, e chegou o esperado feriado.
Uma amiga de Julia comentou com ela que Sérgio também ia com a turma, mas ela nem ligou, porque já tinha outros planos. No dia de viajar, O "outros planos" liga cancelando a viagem, porque surgiu um imprevisto. (#^$#$&*)... Mas tudo bem... tem muito homem no mundo!
Primeira noite, todos foram pra balada, e como sempre, o pós rolou na casa. Julia nao estava nem lembrando que Sérgio estava lá. Talvez pelo nível de bebida no sangue, talvez pelos várias pegadas em potencial que tinham aparecido. Eis que ela estava segurando a porta do banheiro pra amiga e Sérgio vem falar com ela, todo cheio de abraços e carinhos. Nesse momento, sem pensar duas vezes (mas pensando em como ele era babaca, como ela se arrependeu de nao ter dado pra ele, e como ela tava vendo tudo duplicado), Julia lascou-lhe um beijo. Depois disso, a noite foi meio um blur. Putaria no banheiro, do banheiro pro quarto, pra cama, tira a blusa, agora a calça, cade a camisinha?? uuuuuuuuuuuuuh...
Tudo isso em 5 minutos nas lembranças de ressaca de manha.
A manha seguinte parecia um dejavu. Julia acordou mais cedo e foi fofocar com as amigas. Sérgio saiu do quarto, os dois se cruzaram na porta do banheiro. Ele riu pra ela, deu dois passos, um abraço e um beijo na bochecha. Ela pensou "bom, pelo menos ele me comprimentou".
O dia foi passando, as pessoas bebendo, mais pessoas chegando e começou a festa. Julia esperando anciosamente a hora de dar de novo. Até que, naquele mesmo canto da sala, lá está Sérgio, chegando em uma outra piranhavagabunda, que se fosse a mesma também nao ia fazer a minima diferença.
Em vez de ficar arrasada, Julia resolveu esquecer, porque no final das contas, uma vez babaca sempre babaca. E isso ela já sabia faz tempo.

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